segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FLOCOS DE NEVE






Uma segunda-feira normal. Acordo no mesmo horario e vou deixar o filhote na escola. Na volta, sentada à janela, percebo algumas particulas brancas flutuando ao vento.
Percebo que está comecando a nevar. O vento vai ficando mais forte e os flocos vao caindo descompassadamente, em todas as direcoes.
Uma chuva de pequenos flocos inicia-se.
O trafego continua intenso naquele horario da manha.
Lembro de como minha cidade se torna um caos quando comeca a chover. Imaginei a neve caindo em Fortaleza, com aqueles buracos, aquelas ruas de calcamento e muitas sem pavimentacao. Seria o caos do caos.
A vida aqui nao é tao facil quanto se imagina. Aqueles cartoes postais, onde a paisagem é toda branquinha, neve aos metros, arvores com galhos brancos e estradas limpinhas... isso dá um trabalho! Tirar toda neve das estradas é um trabalho para um trator especial. Nas cidades, carros com uma pa facilita o transito nas ruas, quando o inverno se torna mais intenso. Nas residencias sao os proprietarios responsaveis para limpar as calcadas. Sem contar naquelas pedrinhas que se joga nas calcadas pra nao escorregar e o sal... ahhh o bendito sal que ja me fez perder algumas botas e tenis! E em cada entrada de apartamento aquela calamidade de tapete sujo, botas molhadas - pois a neve derrete e deixa aquele rastro de sujeira - casacos, cachecois, tocas... de todos da familia e das visitas!
Nao temos, aqui em Viena, as enchentes que temos em Fortaleza, contudo, andar pelas ruas com neve, que branca só quando cai, transformando-se imediatamente em marron e virando uma lama gelada e escorregadia. Nao é tao lindo como no cartao postal.
E para atravessar as ruas... o cuidado de nao escorregar, mesmo com botas nativas e feitas para evitar as quedas, que sao perigosas, da a sensacao que voce está andando sobre aquele barro liso e grudento.
Lembro como fiquei feliz no primeiro dia que vi a neve cair... e depois fui brincar de guerra de bolinhas de neve, como via nos filmes... mas esqueceram de me contar que a neve queima, racha a pele, e depois quando voce entra com a mao gelada para o ambiente quente, dói; aquela dor nos ossos, pois a gente nao tem ainda o tato, por estar com os dedos congelados.
E o joelho? Como doi tambem... pois é o mais desprotegido, mais exposto, pois por mais agasalho que se coloque, os joelhos precisam ficar mais livres para o movimento de andas, saltar aquelas faixas de gelo que se forma entre a calcada e a rua, subir e descer escadas - e como tem escadas nesta cidade! - no metro, nos edificios, nas reparticoes publicas... até eu encontrar os elevadores fiz pilates obrigatoriamente.
Agora ja mais acostumada e com o olhar familiarizado com os esconderijos dos elevadores, normalmente usados pelas maes com carrinhos de bebe e senhores idosos, parei mais de subir e descer dois ou tres andares em cada predio.
Lembrando agora, o elevador do meu predio estava parado hoje pela manha! Foram cinco andares de escada, que ao chegar no solo estava tonta de descer rodando... sabe aquelas escadas redondas, lindas, dos filmes da época de ouro de Hollywood! É descer numa escadaria redonda, nao é para aqueles que sofrem de labirintite.
Os flocos foram ficando maiores e por alguns minutos tudo ficou branquinho, com aquela camada fina sobre os carros, telhados, cercas e arvores. Nas calcadas os caminhos foram logo definidos pelos pes apressados.
Durou pouco tempo. Ficou so vento frio, gelando a ponta do nariz, as oralhas e os dedos. Esqueci... o joelho, abaixo do manto... precisando se movimentar de qualquer jeito, com frio ou nao... ando mais rapido para que ele nao sofra tanto. Esqueta um pouco com o movimento.
Ainda bem que os transportes chegam entre tres e cinco minutos, quando nao se está cronometrado com o sistema e é descer de um e subir em outro. Zag, zag!
No inverno este sistema torna nossa vida mais aquecida e nos bondes os vagoes antigos sao os mais procurados pois sem um sistema de aquecimento grotesco e eficiente! Alguns nao gostam de se sentar em cima do aquecedor, hehehehe, ficar com o popo quentinho, quentinho... mas outros adoram.
Meus flocos de neve se foram. Meu sonho de ver tudo branquinho foi adiado para quando a natureza nos fizer presente novamente. Espero que na noite de natal.
O tenue sol de final de outono nos dá o ar de sua graca e aquela camada vai derretendo, escorrendo, sumindo...

Cheguei!
Vou trabalhar!

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