sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nós






Ela estava ali. Na minha frente, olho no olho.
Eu sentia meu corpo tremer como se fosse a primeira vez. Foi a segunda vez que tremi, em toda minha vida. Toda minha experiencia desvaneceu, sumiu. Sentia me como um adolecente diante da professora universitaria.
Seu sorriso, quase inocente, me incentiva a seguir adiante.
Eu nao sabia por onde nem como comecar. Estava com muito cuidado, para nao quebrar o encanto que nos envolvia. Eu sentia medo de toca-la... e queria toca-la como um alucinado. Quanta contradicao.
Um encontro planejado, esperado, idealizado, e justamente agora... na primeira vez que eu a via, a tinha nos meus bracos, eu ja a conhecia, nao era mais um encontro, era um reencontro. Um reconhecimento de almas.
Senti o calor de seu corpo, seu coracao tambem pulsava alucinadamente... nossos coracoes enlouqueceram.
Deixei-me levar pelos sentidos. O desejo procurava ultrapassar todas as fronteiras. Era um desejo alucinado, revolto, envolto.
Nosso primeiro abraco, nosso primeiro beijo.
A suavidade de seus labios, ... perdi o senso e a sanidade. Beijei-a com a profundidade de meu sentimento. Senti que toda cautela se desvanecia e ela se largou nos meus bracos, se amoldou ao meu corpo de ficamos ali, unidos, um so corpo, durante longos segundos, eternamente.
E tudo foi evoluindo, fluindo, movimentando-se no compasso e no abraco.
Ja nao percebia mais nada alem de nos mesmos. Ja nao pertencia a esse mundo, o planeta nao existia mais. Somente nos dois, num abraco divino, flutuavamos no espaco rumo a plenitude do universo.
Nada programado. Nada contado. Nada constado.
Na magnificencia do cosmo, nós e somente nós sabiamos onde estavamos e estavamos juntos, unidos, perfeitamente.
A perfeicao se fez ali.
A eternidade se manifestou naquele momento.
Nossos corpos suados e suavisados voltaram lentamente para a realidade mundana.
Nunca mais nossas vidas seriam como antes. O novo se fizera e nós nos renovamos no desejo e na permanencia do estado de extase.
Nada mais fazia tanto sentido. 
Nós apenas nos sentiamos. 

Estavamos presentes.

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