segunda-feira, 28 de maio de 2012

Eu sou Policial?!





Eu sou policial apesar de nao mais trabalhar na policia. Eu nasci policial e cresci sonhando em fazer tudo aquilo que nasci para fazer.
Isso é verdade?

O que é ser policial?
Ser policial é trabalhar para manter a sociedade dentro dos padroes determinados pelos governantes.
Isso mesmo, ser policial é perseguir e excluir da sociedade aqueles que sao considerados criminosos. E quem define o que é crime? Uma lei. E quem faz essa lei? Os governantes, os dominantes da sociedade, numa democracia, com o aval da grande maioria.
Entao quando a policia age, a grande maioria esta aplaudindo, esta placidamente sentada em seu sofa confortavel assistindo a tudo e confirmando o certo. Afinal os que fizeram as leis e definiram o crime estavam trabalhando com o aval desta grande maioria.
É provar do proprio veneno todos os dias, todas as horas.
Acontece um crime. Onde esta a policia? Onde estao aqueles que eu paguei, que eu pago para me protegerem destes outros que nao seguem as regras ditadas por mim atravez do meu mandatario, atravez daquele que eu, como maioria coloquei ali?

Eu nao nasci policial. 
Eu me enganei. 
Eu nasci outra coisa... eu sou outro.
Eu devo ter renascido, entao.

Tudo que eu acreditava, tudo que eu vivi, tudo pelo que eu lutei, foi tudo uma farsa? Nao! Fui sincero em cada gesto. Eu fiz o que eu acreditava que era certo.
E quando eu mudei, quando eu percebi que nao fazia mais parte do time, eu sai!

O dominio mudou de maos e enfraqueceu. A grande maioria nao estava mais sendo protegida, nao estava mais concordando com seu mandatarios, ou havia alguma coisa muito errada.

Nasci para investigar... poderia ter sido cientista!

Descobri que tudo foi uma sequencia de fatos... voluntarios, premeditados ou nao, porem fatos. E a irreversibilidade dos fatos é outro fato.
O que aconteceu, aconteceu. Nao se muda o passado.
Entao, vamos olhar para frente. Mudar o futuro.
Para mudar o futuro, precisa-se de muita vontade, e uma grande coletiva vontade!
E busquei reconhecer esta vontade... conhecer acoes que mudassem o rumo do universo e descobri que a grande vontade estava mudando realmente o rumo de tudo, contudo nao era o rumo que eu queria tomar.

Ou fora eu que mudara?

Realmente nao sei. 
Talvez os dois. 
Talvez eu tivesse ficado no passado, buscando uma postura de honra e justica, aprendida nem sei com quem. E honra e justica tambem estao mudando... sao conceitos criados por homens filhos de adao... tudo que eu um dia acreditei, um dia lutei para manter na ordem das coisas, pareceu naquele momento tao falso!

Entao verifiquei que muitos tinham acompanhado o novo rumo. Eu estava ficando obsoleto, solitario, atrazado em meus sentimentos e atitudes... andando fora do compasso! Comecei a ser um impecilio, um atrazo, atravancando as situacoes que facilmente seria resolvidas pelo mais jovens e que estavam no novo rumo das coisas.
Sempre fui teimoso, e na minha teimosia eu relutei a encarar e aceitar o novo rumo. Confesso que ate tentei e vi que nao tinha a menor aptidao para aquela nova situacao.
Eu vivia noutra era... o novo rumo havia se instalado totalmente. O novo rumo dominante estava me destruindo por dentro e chegaria a me destruir por fora tambem.
Quando percebi estava so. Sem amigos, sem colegas, sem orientacao... e quase sem familia.

Morri. Morri por dentro. Deixei de vibrar. Meu coracao deixou de pulsar. Nao sinto mais calor e nem frio. Estou na zona morna, ou morbida?
Nao me reconheco ... e vago pelas ruas da vida buscando algo que me faca novamente vibrar, pulsar, esfriar e esquentar... amar.
Quem é jamais deixa de ser... entao o que continuo sendo? Em que continuo acreditando? Em conceitos tao antigos de dignidade, honra, respeito, caridade, amor.
Hoje eu estou do outro lado da cortina, do palco, assistindo ao espetaculo. Sei quem manipula as marionetes. Sei o que se passa por tras da cortina, nos camarins... conheco a maquiagens e reconheco os personagens. A peca continua sendo encenada... e continua recebendo os mesmo aplausos.
Eu me recuso a aplaudir. Eu me recuso a participar. Eu me recuso a encenar. Eu me recuso a me matar.
Vou vagar por ai, pelas ruas da vida, sentir o vento, o sol, a poeira, ate.... tambem virar poeira.

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